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Evento alusivo à conquista do voto feminino no Brasil relembra luta e fomenta espaço da mulher na política

 

Publicado em: 25/02/2026 16:00 | Fonte/Agência: Departamento de Comunicação

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Depoimentos, vivências e fatos históricos foram apresentados nesta terça-feira (24), para um público composto por jovens da rede estadual e particular de ensino. Evento trouxe conscientização sobre direitos e o papel da mulher na área pública

Historicamente, uma longa luta foi travada para conquistar o direito ao voto feminino, não apenas no Brasil, mas em todo o mundo. Há menos de 100 anos – em 1932 – o direito ao voto feminino foi reconhecido, passando a compor a Constituição de 1934, mas não de forma voluntária pela sociedade da época. A atuação de mulheres como Bertha Lutz, Nísia Floresta, Leolinda Daltro e Almerinda Farias Gama – entre tantas outras – foi decisiva para a conquista da participação da mulher na política.

Um caminho que começava lá trás e que traria ainda muitos desafios. Da conquista ao voto até a participação, efetiva, da mulher no campo político ainda viriam muitos entraves. O voto feminino, em 1932, era restrito a mulheres solteiras e viúvas – desde que tivessem profissão remunerada – e às casadas somente com autorização do marido, excluindo-se ainda as analfabetas, o que restringia ainda a participação das mulheres já que a maioria não possuía acesso à educação.

A luta das sufragistas – mulheres que lutaram ativamente pelo direito ao voto e pela participação política feminina – abriu um caminho imprescindível para a democracia.

Foi abordando este contexto histórico, de luta por direitos iguais, que foi aberto, na manhã de ontem (24), em Quatro Barras, o evento alusivo à conquista do voto feminino no Brasil. Organizado pela Secretaria da Mulher e dos Direitos Humanos, o evento reuniu estudantes do Ensino Médio para conscientizar sobre o papel político da mulher e os desafios vividos ainda hoje.

Depoimentos e considerações foram apresentados por representantes femininas dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, na Câmara Municipal.

Entre elas, estiveram presentes a secretária da Mulher e dos Direitos Humanos, Ieda Tolardo; a deputada estadual Cristina Silvestri; a juíza do Fórum Eleitoral de Campina Grande do Sul e Quatro Barras, Dra. Paula Priscila Candeo; a vereadora Jacqueline Joice Bertapeli; e as ex-vereadoras Maria do Carmo Knapik Ribeiro, Maria Sirley Zanchettin, Maria de Lourdes Ferreira, Wilsen Andreatta, Daniela Ribeiro Cunha, Vânia de Lara Araújo e Lucinéia Alves da Silva, que ao longo das últimas décadas atuaram como representantes femininas na Casa de Leis. Também estiveram presentes familiares da ex-vereadora Jaci Iria de Lima Darif - a primeira vereadora do município de Quatro Barras, eleita em 1976.

“Nossa proposta é trazer essa conscientização sobre a luta das mulheres, os direitos conquistados e os desafios de hoje, valorizando a força e a coragem da mulher. E dizer às nossas jovens que elas podem sim buscar seu lugar na sociedade e na política”, destacou Ieda. “É uma honra estar aqui hoje recebendo mulheres tão fortes e comprometidas com as políticas públicas e com jovens que têm todo o futuro pela frente”, finalizou a secretária, ao lembrar o protagonismo de Quatro Barras ao criar uma secretaria da Mulher e dos Direitos Humanos, e também por ter paridade na condução das secretarias municipais, hoje chefiadas de forma equilibrada entre homens e mulheres.

A deputada estadual Cristina Silvestri ressaltou que, historicamente, foram muitos os desafios para romper os obstáculos e tabus relacionados à participação feminina na política. Ela compartilhou desafios na carreira de parlamentar e as lutas travadas para que parlamentares femininas tivessem também voz.

Segundo ela, hoje, das 54 cadeiras da Assembleia Legislativa do Paraná, 10 são ocupadas por mulheres. Outro dado que chama a atenção, apresentado pela assistente social Patrícia Aparecida da Silva e pela psicóloga Ana Cristina Dias da Paz, da SMMDH, é que apenas 33,48% dos candidatos a cargos públicos, em 2020, eram mulheres. Por outro lado, a maior parte do eleitorado – 52,47% dos eleitores – é feminino.

“Por todas as conquistas que já tivemos, vejo o quanto é importante valorizarmos as mulheres que vieram antes de nós, e que abriram o caminho. E o quanto é importante aumentarmos a participação feminina nas decisões políticas”, disse a deputada. “As mulheres têm direitos iguais aos homens e este equilíbrio, entre a visão masculina e a feminina, é imprescindível para que possamos construir juntos uma sociedade mais equilibrada, democrática e atenta a todos”, enfatizou Silvestri.

A juíza do Fórum Eleitoral de Campina Grande do Sul e Quatro Barras, Dra. Paula Priscila Candeo, enalteceu o movimento histórico de luta em defesa dos direitos das mulheres na política e defendeu a participação – efetiva – da mulher nas decisões políticas.

“Inspiradas em movimentos sufragistas internacionais, ao longo da história mulheres fortes buscaram transformar a realidade daquela época. O direito constitucional ao voto feminino foi um marco histórico, ainda que houvessem tantas restrições como o voto incialmente facultativo, e condicionantes como estado civil e remuneração profissional. A igualdade de direitos, entre homens e mulheres, só foi estabelecida com a Constituição de 1988”, ressaltou.

Dra. Paula disse que ainda assim os desafios permanecem. Em 2021 – há apenas 5 anos – foi sancionada a lei que altera o Código Eleitoral Brasileiro, a fim de prevenir, reprimir e combater a violência política contra a mulher. Violência e fraude à cota de gênero ainda são desafios atuais da participação da mulher na política. “Democracia não é apenas o direito ao voto, mas de candidatar-se, de exercer seu mandato e fazer efetivamente parte do debate político, das decisões em sociedade”, afirmou a juíza.

Na plateia, estiveram presentes a ex-primeira-dama Elenai Gonçalves Repinoski; a presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher, Teresa Almeida, bem como as demais conselheiras municipais; representantes femininas da Polícia Militar; estudantes dos colégios estaduais André Andreatta, Elias Abrahão e Arlinda Ferreira Creplive; e alunas do 2º e 3º ano do Colégio Dom Orione.